sábado, 15 de dezembro de 2012

O Nascimento da grávida





Escrever sobre esse tema é como entrar num túnel do tempo. Lembro-me dos meus partos e dos partos que tive a honra de presenciar. Lembro-me de tudo o que aprendi com o "nascimento da gravidez" em meu ser e em meu corpo e no das mulheres que encontrei. Sinto como se a natureza humana insistisse em se perpetuar, apesar de nós, apesar das guerras e das tantas discórdias que somos obrigadas a conviver em nosso cotidiano.
As mulheres continuam parindo e desejando um mundo melhor para viver com seus amores. Sempre que estou em um grupo de mulheres, noto que basta uma mulher começar a falar sobre sua gravidez e parto, para que todas as outras participem e interajam naturalmente. Os nossos ventres são cúmplices entre si. Quando estamos dentro desse universo, falando de nossos ventres e rebentos, não há discórdia, ficamos todas do mesmo lado.

As mulheres adoram falar de sua gravidez, de seu parto e de sues filhos... Precisam passar isso para as mulheres que estão vivendo esta experiência pela primeira vez ou não, pois toda grávida inspira o mesmo sentimento. Vamos recriar e estabelecer a tradição de falar sobre a gravidez, o parto e o puerpério. Vamos refletir e compartilhar umas com as outras. Já ouvi falar na revolução do coração...
Pois então façamos a revolução dos ventres. Esta publicação estará aberta a isso. Espero que este espaço seja como uma fogueira com mulheres conversando em volta dela. Isso é convite para que você escreva para nós e deponha, confesse e compartilhe sua experiência de mãe. Venha sentar-se junto dessa fogueira. Eu elegi três momentos da maternidade que considero impactantes: quando a mulher descobre que está grávida, quando ela entra em trabalho de parto e quando ela atravessa os primeiro quarenta dias do neném. Educação embrionária No oriente, mais especificamente no Japão, existia um termo para descrever a atitude da mulher diante da notícia de que estava esperando um filho. A expressão era: Taikyo. "Tai" poderia ser traduzido por "placenta" e "kyo" por educação. Quando li isso pela primeira vez recebi um impacto. Ao mesmo tempo em que era um conceito vindo de uma cultura distante, era também algo íntimo e muito sensato. Ampliou-se em mim o sentido maior da gravidez e da maternidade. Vi que a atitude da mulher diante da gestação influenciaria a vida do ser que ela carregava em seu ventre.
No Japão, assim que as mulheres recebiam a notícia de que estavam grávidas, voltavam para casa e davam início a uma série de mudanças de ordem prática que abriria o espaço para aquele ser que estava pra chegar. Era o tempo de fazer tudo aquilo que vinha sendo adiado em suas vidas, como se estivessem esperando um agente desencadeador. E esse agente era a chegada de um filho. Jogavam fora roupas e objetos que não mais serviam, consertavam tudo que não estava funcionando e faziam aquela faxina que há muito tempo estavam para fazer. É como se estivessem se preparando para a chegada de um hóspede muito especial, criando espaço dentro de si e dentro da casa para ele. Se você está grávida, por favor, não tente manter a sua vida como sempre foi, porque além de inútil é desgastante. É como nadar contra a correnteza, é como encontrar o amor e não se entregar, é como querer ir para o paraíso sem querer morrer.
Essa é a sua chance para abrir espaço para o NOVO em seu no corpo, em seu coração e na sua vida. Pense nisso. Trabalho de parto Todo o processo da gestação chega a termo quando o trabalho de parto inicia. Até hoje me surpreendo com o comportamento frenético de alguns casais quando tem início o trabalho de parto. Afinal, foram nove meses de espera e preparação para esse evento. É claro que a emoção é grande, diria até que existe uma certa euforia, porém, sinto que o trabalho de parto seria mais bem comparado com um encontro íntimo com alguém que você espera há muito tempo. Sabe aquele momento que antecede o encontro amoroso muito esperado? Pois é... Quando chega o momento dos beijos e das carícias, não há o que pensar, nem o que temer. A respiração toma conta do corpo e a gente entra num estado alterado de consciência. Vivemos fisicamente a possibilidade de sermos toda instinto e intuição. Sinto que esse estado de consciência acontece também durante o trabalho de parto. A resistência causa tanta dor como no coito, porém, se nos entregarmos, o desejo de parir se coloca acima de tudo, assim como o desejo de ter o orgasmo.
No parto, o grande prazer está no momento em que algo vivo, quente e pulsante sai de dentro da gente, enquanto que numa relação sexual, o orgasmo acontece quando realizamos a mesma sensação de um ser vivo quente e pulsante entrando em nós. De uma forma ou de outra, o desejo essencial é o de se tornar um com esse ser. Pode parecer um tanto anti-religioso, mas sempre senti o parto como um coito invertido com o divino... Foi a sensação mais próxima que tive da verticalidade da consciência humana diante desse universo silencioso e real. No próximo artigo vou falar das características do trabalho de parto: como está nos manuais e como eu vivenciei e testemunhei em outras mulheres.
Puerpério
E agora Maria? O bebê já chegou e você está aí com os seios intumescidos e cheios de colostro, um pequeno ser que depende de você para sobreviver, a casa, os outros filhos, se tiver, o maridão carente ou distante e as tão famosas e frenéticas visitas... Resumindo: um verdadeiro caos! Mais parece uma travessia no deserto, o grande teste de Jesus quando passou aqueles quarenta dias sozinho enfrentado todas aquelas provações. Pode parecer uma caricatura, mas é assim que o puerpério é vivido interiormente quando esse período não foi previamente elaborado. É difícil sim, afinal é também para isso que servem os nove meses de gestação. Seja o parto em casa ou no hospital, é muito importante lembrar que esse evento determina uma mudança profunda na sua vida e o bebê que acaba de nascer, assim como você, precisa de tempo para se adaptar a essa nova realidade... A essa nova relação.
Resumindo, essa é a pior hora para eventos sociais. Restrinja as visitas ao máximo, diga que assim que estiver pronta, você oferece um chá para apresentar o bebê. Receba somente aquelas visitas que podem realmente te ajudar, seja com o bebê, com a casa ou com os outros filhos... Minha recomendação para as gestantes é de quarenta dias de adaptação entre esse novo duo mãe/filho, filho/mãe. Nesse período a relação se estabelece, o leite desceu, você conhece o ritmo das mamadas, aprende a se "ordenhar", adapta a casa, o marido, os filhos com o novo bebê e principalmente você tem esse tempo para adaptar-se a essa nova vida.
E como dizia Salomão "Há tempo para tudo, o resto é vaidade e correr atrás dos ventos".

O exercício da ESCOLHA...


Preparação consciente para o parto

O controle emocional e mental é uma excelente ferramenta em determinadas situações. Ficaria ridículo se começássemos a chorar ao verificar que na conta bancaria não está o depósito tão necessário e esperado para garantir comida na mesa até o final do mês. Mas se estivéssemos diante do caixa do banco nesse momento, nos “controlaríamos” e respiraríamos profundamente para permitir que a onda emocional passasse para podermos pensar na melhor solução. Ainda assim, se você estiver grávida e engolir “esse sapo” sem ter bons resultados com a racionalização, o mais saudável é que chore profusamente se essa for sua necessidade mais intima. No caso da gravidez especificamente, a melhor opção é “perder o controle”, aprender que existe em você “uma voz”, que alguns chamam de intuição e outros de instinto, que guia toda mulher gestante, seguramente, até ao primeiro abraço com seu rebento logo após o parto. É um fenômeno que acontece com o gênero feminino durante o período da gestação. Perder o controle, nesse caso, não é virar uma idiota histérica, mesmo porque uma inteligência especial está disponível para que você exercite sua possibilidade de “escolha” baseada naquilo que você realmente necessita.

Acredito que a gravidez é muito mais do que aquele período em que você espera a chegada de um filho. É muito mais que as visitas mensais ao médico e todos os exames que você sequer sabia da existência. É mais do que um longo momento de risos e lágrimas genuínas. Mais que preparar um enxoval e decorar um quarto de criança.

No período gestacional você torna-se um cálice sagrado, a mensageira do milagre da vida, a bendita entre as mulheres, e muito há para ser vivenciado como ponto crucial de seu processo evolutivo como ser humano. A gravidez é um rito sagrado que pode desencadear um crescimento emocional e espiritual sem comparação.A nossa amada mãe natureza nos oferece esse tempo, os 280 dias da gestação, para que possamos maturar e estar prontas para a chegada de nosso filho. Não importa o quanto você esteja se achando uma tonta, que vive chorando pelos cantos ou tendo verdadeiros êxtases de alegria. Não importa se o cheiro do perfume de seu companheiro passou a te desagradar de um jeito que você nem consegue ficar perto dele quando ele o usa. É tempo de observar e obedecer a seus instintos…Coma melancias inteiras se isso te apetecer. Tenha quantas relações sexuais te satisfizer. Coma pitangas, pêssegos, uvas, bananas… uma boa relação com o paladar será uma ferramenta e tanto quando seus instintos começarem a te mover.

Os sentidos de uma forma geral são muito importantes na conscientização corporal, emocional e mental no período “De Graça” (um apelido para gravidez). A mulher tem tudo para atravessar o ciclo mais interessante de sua vida. O fato é que está havendo uma grande mudança em sua vida. Tudo te convida a MUDAR. Pronto, agora, já não há necessidade de longos processos terapêuticos, custo da terapia, etc. A realidade te chama e te diz: “Oi, é tempo de mudança, aproveite! Mude… reveja, recorde, agilize, descanse, caminhe, dance, nade. Seja o que há de sagrado aqui e agora!”. Não existe nada mais importante que você nesse ciclo. Sua gestação é também a gestação de uma nova mulher em você. Essa história tem um começo, um meio e um fim. Tem um tempo também… 280 dias. Aproveite!

Sabe aquelas coisas que você sempre adiou fazer? Faça, o tempo é esse! Sabe aquela dieta para a boa saúde que você sabe que deve fazer, mas com o automático ativo você quase não consegue tomar uma decisão consciente por dia? .Pois decida agora! Leia tudo sobre alimentação, culinária, visite um bom restaurante com comida saudável e orgânica. Crie uma rotina que priorize o seu bem estar. E não estou falando somente do lado físico, mas também e principalmente do emocional e mental. Afaste-se das burrices, informações de origens não idôneas. Prime pela qualidade em tudo. Ao que ouve, vê, saboreia, cheira…a tudo aquilo que entra e sai de você. Só converse com pessoas que possam expressar idéias e pensamentos.

Afaste-se daqueles que só sabem falar de outras pessoas…Amenidades têm seu momento, mas definitivamente nesse momento, acredite, você não precisa de amenidades, mesmo porque todo o seu SER está em revolução, gestando um ser humano. É um momento de magia. Você saberá quando estiver fazendo a “dieta da boa qualidade” que é escolhendo conscientemente tudo que entra e sai de você que atrairá para si tudo aquilo que necessita.

Você é a protagonista desse espetáculo. Escolha e deixe-se guiar pelos seus instintos e pela sua intuição. Mas preste bem atenção para não confundir seu medo com instinto e intuição. Isso é muito importante. A maioria de nossos medos é infundada. Mas somos condicionadas e estamos adormecidas, por isso às vezes podemos confundir nosso medo com nosso instinto e intuição. Preste atenção às coincidências, observe seu pensamento. Ele é criativo e te produz serenidade? Não anseie por nada diferente daquilo que seja o melhor para você. Siga procurando com confiança de que nada te faltará e que, quem cria a sua realidade é você. Portanto, crie um ambiente de amor para você. Se não souber que atitude tomar, pergunte-se: Como o amor agiria nessas circunstâncias? Escolha! Conheça suas opções! Escolha o tipo de assistência de que você precisa. Escolha o lugar de seu parto, a cor da roupa de sua “equipe”,a roupa que quer usar ou não usar, sua mãe de parto (ultimamente também conhecida como doula). Escolha seu obstetra (palavra derivada do grego cujo significado é: aquele que observa). Escolha quem vai estar no seu parto. Entreviste pediatras e anestesistas, tanto faz se sua opção for um parto hospitalar ou domiciliar.

O evento do nascimento do seu filho é muito importante, não é propicio que você seja manipulada nem pelos seus medos e muito menos pelo medo de outras pessoas. Esteja cercada de pessoas de qualidade. Sua sexualidade é o medidor da qualidade da sua vida. Escolha viver seu esplendor sexual. Sua sexualidade sagrada. Escolha estar em parceria com um homem que possa se deixar guiar pelas suas marés. Se o progenitor não atende a esse requisito, eu sugiro que se afaste dele o quanto antes. Sei que é absolutamente anti-institucional e que todas sonhamos com o exemplar Jose, Maria e Jesus, mas, o fato é que um homem insensível pode atrapalhar e muito. Se ele quiser tentar conscientizar-se, é bom para ele, posto que também está grávido e precisa de suporte para essa grande mudança. Mas jamais permita que ninguém se interponha entre você e seu bem estar. Nem mesmo a sua mãe, se esta se mostrar despreparada. Se você deseja uma mãe de parto, converse com essas mulheres, e escolha-as como quem escolhe um namorado. Seu corpo saberá que mulher será a eleita para ser sua mãe de parto. Leia palavras edificantes e nutritivas, para alegrar a sua alma. Pense, pois o pensamento é um evento. Pensar é raro. Nós vivemos sob uma tempestade de sensações, de elucubrações mentais, devaneios. Isso não é pensar. Pensar é bom, é do Bem.

Registre essa fase de sua vida, mesmo que você não goste de escrever. Dê uma chance á sua livre expressão própria. Não se julgue, você não tem esse tempo a perder. Vá direto ao assunto. Escreva as memórias desse período, escreva que leu este artigo e lembre-se que, se este pequeno artigo te tocou, é porque você faz parte de uma irmandade de mulheres, que dedicam a sua vida a exercitar os preceitos expostos aqui. Nunca mais você estará sozinha, pois, se você busca a sua integralidade, você é parte da Irmandade das Mulheres da Terra. Mulheres que se preparam silenciosamente para mudar o mundo, para gerar um mundo mais harmonioso e uma humanidade mais consciente e pacífica.

E embora este artigo esteja falando do período gestacional, como um tempo de transformações e maturação; todas as mulheres que pensam na gravidez ou que estão “grávidas” de um novo ciclo na sua evolução podem beber dessas palavras e experimentar sua vida como quem está “em graça!” Pois a Mulher está sempre concebendo e gestando algo dentro de si.

De modo que desejo a todas as mulheres grávidas e não grávidas, que não temam seus corpos, seus instintos e intuição! Vivam a sua sexualidade sagrada! Assumam o controle de suas vidas e a responsabilidade pelas suas escolhas.

O parto é um rito de passagem


É uma oportunidade única de conhecermos novos aspectos de nossa totalidade: a generosidade, a entrega e a força feminina mais profunda e verdadeira. A sábia natureza nos deu "um tempo" entre a concepção e o parto, para que nos preparemos para esse grande evento. 

Mas, por muitas razões, nós delegamos a gravidez e o parto ao médico e a instituição e nos restringimos a preparar o enxoval, o quarto e a fazer os exames e consultas pré-natais. 

O resultado dessa alienação, que tem como base conceitos puramente masculinos, é o número absurdo de cesarianas que vem sendo praticadas no Brasil. 

Isso sem falar das mulheres traumatizadas e dos nascimentos frios e desumanos que a falta de esclarecimento e orientação adequada ocasiona.

PODER ter orgasmos, menstruar,parir, amamentar e criar nossas crianças, está muito além do dever... é o exercício do direito de ser MULHER. 

Nosso corpo e nossa alma clama por esse espaço... precisamos dessas experiências para sabermos de nossa força... Essa força tão temida desde os tempos da inquisição. As "bruxas"eram apenas as mulheres orgásticas, as parteiras e as conhecedoras da natureza. 

Essas não podiam ser controladas e por isso eram mortas. 

Todas as atividades ligadas ao feminino foram então delegadas a ciência e nos perdemos temporariamente de nossa natureza essencial. 

Acredito que a Hora é Agora...Mulheres estão resgatando sua força através da experiência e não da retórica. 

Receba isso como um convite para experimentar e saber a delícia de SER.... Seja bem vinda!